segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O Fenómeno de Vendas

Os números são chocantes. A autora italiana Sveva Casati Modignani, nascida em Milão, começou a escrever no ano de 1981 e já editou 20 livros traduzidos em várias línguas e editados em vários países de todo o mundo entre eles Portugal.
Este ano a autora decidiu dar uma prenda aos milhares de fãs portugueses durante a promoção do seu novo livro, Feminino singular, que é já um sucesso de vendas em todo o país.
A autora chegou a Portugal no dia 25 de Setembro e não parou de dar autógrafos aos seus fãs até ao dia 2 de Outubro.
Houve ainda felizardos que tiveram o privilégio de jantar com a mesma.





Sveva Casati Modignani


Jornalista de profissão, tal como o seu falecido marido, escreveu em conjunto com ele o primeiro livro denominado “Anna Dagli Occhi Verdi”, que consiste em histórias que a sua avó contava enquanto era menina.
Quando começou a escrever o seu livro, os editores acharam que o seu nome em conjunto com o do seu marido não soavam bem e então decidiram criar música para os ouvidos dos seus fãs. Surgiu então o pseudónimo Sveva Casati Modignani para este casal tão diferente.
Segundo Manuel Valente, director editorial da Porto Editora, “todo o nome é um pseudónimo. Utilizou o nome Sveva por gostar de mesmo e por ser um nome muito antigo em Itália e os nomes Casati e Modignani por serem os nomes de duas das famílias mais importantes de Milão.”
Neste momento Sveva tem 70 anos, é viúva, mas mantém a mesma imaginação para escrever.



O que escreve e para quem escreve?


Sveva escreve sempre sobre famílias, e daí o sucesso deste casal, e nestas famílias existe sempre uma mulher de armas, lutadora e forte, por isso é que os leitores desta italiana são “maioritariamente mulheres” como referiu Manuel Valente.
O ambiente na Fnac do Norteshopping durante a apresentação do livro era calmo mas era visível alguma ansiedade nos fãs presentes. A maioria das suas fãs, para além do livro Feminino Singular, levavam mais livros da autora para que todos fossem autografados.
Ana Sofia, leitora dos livros da italiana, e que levou dois livros para serem autografados, afirma que gosta “dos livros da Sveva, pois muitas das histórias acontecem e parecem mesmo reais.”
Feminino singular conta a história de uma mulher que sempre foi protegida e que nos anos quarenta decide começar a viver. Torna-se mãe solteira de três filhos todos eles de pais diferentes. Após a sua morte repentina a mãe revela alguns dos seus segredos.
Após este sucesso, e de forma a provar que esta senhora de 70 anos tem uma imaginação fantástica, o próximo livro já está na editora italiana e conta-nos a história de um casal que devido à diferença de classes e ao terrorismo não podem ficar juntos, uma história de amor, violência e feminismo, tão característico da autora.


O caso Português

Em Portugal Sveva Casati Modignani é representada pela Porto Editora que investiu 25 mil euros na campanha de Marketing. Segundo Manuel Valente “a Porto Editora quer mostrar que não edita só livros escolares”. O que é certo é que em todas as livrarias e em vários jornais e revistas se via a fotografia oficial de Sveva e o cartaz a promover o livro Feminino Singular.





Sveva provou ser uma mulher simples e que conta histórias baseadas em factos reais. Questionada sobre o livro que mais se parecia com a sua história e de qual gostava mais ela diz: “gosto de todos os livros que escrevo, não tenho nenhum em especial e coloco nele sempre um pouco de mim”.Os seus fãs aguardam a chegada do novo livro que se espera que seja mais um êxito.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Paulo Morais dá entrevista sobre Corrupção na Universidade Fernando Pessoa

O ex-vice presidente da Câmara Municipal do Porto e professor de matemática, Paulo Morais, deslocou-se no passado dia 22 de Abril à Universidade Fernando Pessoa para que os alunos do 3º ano do curso de Ciências da Comunicação o entrevistassem no âmbito da polémica por ele levantada sobre eventuais pressões de partidos, governos e construtores civis, com vista ao licenciamento de obras.
Paulo Morais começa por explicar o que é o sector de urbanismo afirmando que “é um sector que deveria planear o território em função de um interesse colectivo, ou seja deve-se fazer um plano denominado plano de director municipal que diz como deve ser estruturada a terra, o terreno na localidade ou no conselho e depois em função desse deve prosseguir o interesse colectivo de forma a licenciar ou autorizar construções que cumpram o mesmo, havendo assim uma fiscalização que garanta que este está a ser cumprido e que as licenças estão a ser respeitadas.” Afirma ainda que na realidade não é isto que se passa pois “em vês de ser feito um plano em função do interesse colectivo normalmente é feito em função do interesse de quem manda nos poderes das próprias câmaras, ou seja, sempre que é feito um plano de director municipal o que há ali é uma bolsa de valores em funcionamento e onde quem tem capacidade de influenciar as câmaras consegue valorizar os seus terrenos quem não tem não consegue.”
O professor de matemática compara este negócio de planeamento de território ao negócio da droga citando que “este negócio apresenta uma margem de lucro que ronda os 3, 4 mil porcento. Este negócio só existe em Portugal neste sector do urbanismo e noutro que é o da droga sendo que no urbanismo ainda é pior porque depois dá-se uma capa de legalidade e parece que está tudo bem.”
Para o entrevistado a lei da corrupção no nosso pais está muito mal elaborada na medida em que é um crime muito específico e onde se tem de provar quem corrompe, quem é o corrompido, qual é o despacho que dá origem ao beneficio, a prova do beneficio e o método de causalidade tornando-se assim “impossível de provar o crime na medida em que o corrupto e o que é corrompido estão no mesmo barco e obviamente não vão os dois a tribunal dizer que realizaram este crime.”
Para encerrar o tema da corrupção, Paulo Morais diz que é este crime que está a destruir a democracia em Portugal “na medida em que muitos dos eleitos não estão lá para cumprir a vontade do povo mas sim de quem os financia.”
Questionado sobre a crise do PSD e sobre que candidato apoiaria o ex-vice presidente da Câmara do Porto afirma que apoiará aquele que julgue ser mais estratégico para a liderança do Partido e afirma que não apoiará a Doutora Manuela Ferreira Leite porque “ neste momento não há uma marca distintiva entre o que é o PS e o PSD e porque se a Doutora Manuela Ferreira Leite fosse primeiro-ministro ela faria exactamente o que está a fazer o engenheiro José Sócrates. Com a sua visão de economista e contabilista, com a sua visão orçamentalista de grandes preocupações com o orçamento de estado, eventualmente iria aumentar os impostos. Eu apoiaria o Doutor Miguel Cadilhe devido ao seu percurso político e porque foi a pessoa que nos últimos 20 anos estruturou melhor as finanças portuguesas.”
Esta entrevista para além de um sucesso, foi realizada no âmbito da disciplina de Gramática e Laboratório de comunicação VI leccionada pela professora Rosa Sampaio.